A esotérica arte de fazer playlists
No início desse mês, minha namorada foi viajar e cá fiquei eu, duas semanas longe da gata, em um período particularmente frio na cidade de São Paulo, com nada além de um felino peludo pra me esquentar em uma casa que poderia muito bem ser uma geladeira! 🥶
Dramatização a parte, sou um romântico, gosto de sofrer com estilo, portanto antes mesmo da despedida já estava pensando em quais músicas compilar em uma playlist. Não sei vocês, criaturas das trevas da rede mundial de computadores, mas acredito que para tudo, existe ao menos um(as) música(s) pra poder curtir sobre.
Transcrição do vídeo: Fazer uma playlist é uma arte delicada. É como escrever uma carta de amor, mas melhor de certa forma. Você consegue dizer o que quer dizer sem realmente dizer. Você usa a poesia de outra pessoa para expressar como se sente. E depois há as regras. Tem que ser divertida, tem que contar uma história, não pode ser muito óbvia, mas, também não pode ser muito obscuro. Você não pode duplicar músicas do mesmo artista, a menos, claro, que seja o seu tema. De qualquer forma, uma boa compilação, como tantas coisas na vida, é difícil de fazer.
No vídeo acima, a belíssima Zoë Kravitz interpretando a personagem Robyn na série Alta Fidelidade (baseada no livro de mesmo nome, que particularmente achei bem ruinzinho quando li) foi retirado do instagram da Hulu, que por sua vez é um trecho do início do segundo episódio da série. Infelizmente ela só teve uma temporada, mas super recomendo se você também for apaixonado por música com eu.
Bem, como todo bom virginiano, adoro sistematizar as coisas, então vou tentar desenvolver um pequeno método de como criar playlists mais significativas, interessantes musicalmente e sentimentalmente. Devo acrescentar que tenho lua em sagitário e meu assedente é em peixes, então vocês vão perceber que algumas coisas vão ser meio na base do “tem que sentir pra saber”, somos contradições ambulantes não é mesmo? 🤭 Também vou utilizar alguns trechos particularmente significativos do livro “Como funciona a música” do David Byrne, (isso mesmo, aquele cara do Talking Heads), já que ele expressa muito melhor do que eu poderia como era o sentimento de se fazer uma mixtape, ops, estou me adiantando, vamos lá.
Um breve contexto histórico
Compilar uma seleção de músicas é uma arte já de algumas décadas, pratica que anteriormente era conhecida como mixtape, que se popularizou com a invenção das fitas cassetes, isso no início dos anos 70 (tecnicamente um pouco antes, mas não vou me atentar aos detalhes aqui), a grande vantagem dessas fitas é que elas eram pequenas, tinham diversas capacidades de armazenamento de “tempo”, inclusive podendo até armazenar mais músicas que um vinil! Mas os fatores chaves na popularização desse tipo de mídia foi (1) ser uma tecnologia aberta, qualquer empresa poderia comercializar e (2) a grande maioria dos aparelhos reprodutores de fitas também tinham a capacidade de gravação.

Os jovens de hoje, com pequenos e poderosos computadores de bolso não devem ter noção da revolução que isso causou. Subitamente era possível ouvir músicas em qualquer lugar, no carro, andando a pé por ai, e melhor, poderiam gravar sua própria seleção de músicas, seja da rádio, de um vinil, ou mesmo sua própria voz! Assista a um trecho do primeiro episódio da série Twin Peaks e veja o agente especial Dale Cooper registrando em áudio sua chegada a cidade usando um gravador de fita portátil.
No final dos anos 90 e início dos anos 2000, apesar da dominação do CD no mercado fonográfico, essas fitinhas, ao menos aqui no Brasil, ainda eram muito populares, eu mesmo já tive um Walkman e depois um Discman quando a venda de cds virgens começou a se popularizar. Lembro da primeira vez que ouvi o álbum Supposed Former Infatuation Junkie, da Alanis Morissette, que meu irmão mais velho havia pegado emprestado com um amigo dele, eu devia ter uns 10 ou 11 anos de idade, fiquei completamente obcecado, paguei 5 reais numa fitinha virgem e usei o aparelho de som de casa pra copiar as músicas do cd para a fita, apertava play do cd e logo em seguido o rec para o aparelho começar a gravar a fita, depois de uns 30 minutos o lado A da fita acabava, muito possivelmente no meio de uma música, então era necessário virar a fita, voltar a música e repetir o processo no labo B. Nossa primeira obsessão musical a gente nunca esquece mesmo.

Como muitos dos meus amigos, eu fazia mixtapes com as minhas músicas favoritas de vários estilos, para mim mesmo e para os outros. (…) era mais fácil trocar fitas cassete com nossas músicas favoritas, com cada uma delas focada em um certo gênero, tema, artista ou clima. (Byrne, 2012)1
Outra prática comum era gravar músicas que eu gostava quando tocavam na rádio, ficava atento na frente do aparelho de som e apertava o rec assim que o locutor anunciava a próxima música ou quando eu já sabia que ela ia tocar, era absolutamente detestável a sensação quando colocavam algum anúncio no meio da música, como “Alfa FM” ou “89 a rádio rock!”, QUE ÓDIO, destruía completamente o clima! Quando migrei pro CD, apesar de não ter um computador em casa, sempre usava os dos amigos para baixar músicas e gravá-las em discos, lembro que já paguei um amigo 10 reais para ele gravar um CD do álbum Skin and Bones do Foo Fighters já que ele tinha um computador em casa com internet banda larga.
Com o passar dos anos, com o surgimento de dispositivos com armazenamento cada vez maior, como os mp3players e os cobiçados iPods, que eram comercializados com até 160Gb de armazenamento (o que era insano na época, basicamente a capacidade de armazenamento de um computador de mesa, mas na sua mão!), as mixtapes se tornaram as playlists (listas de reprodução), um nome que apesar de lógico é um tanto sem graça comparado ao antecessor, enfim, ganhou um sentido adicional, mas em suma é a mesma coisa. Bem, acho que é isso, agora vamos ao que importa, os dois elementos básicos que acredito que toda playlists possui, o tema e o tom.
Uma mixtape em formato de cd que eu gravei em 2014 com 20 músicas para minha namorada.
Tema
O tema, como você já deve ter presumido, é do que se trata a playlist, não se engane, toda playlist possui um tema, seja ele explicito ou implícito, é, tá detestavelmente parecido com uma prova de ENEM, mas vamos esquecer momentos traumáticos da nossa vida e focar no que realmente importa agora, a música! Pensamos em algumas exemplos, playlists para fazer uma faxina em casa, para treinar na academia, para caminhar, para ficar brisando na janela do ônibus, para ouvir na estrada, todos esses exemplos são temas comuns para se compilar determinas músicas que, de alguma maneira (possivelmente subjetiva), remete ao tema proposto.
As mixtapes que fazíamos para nós mesmos eram espelhos musicais. A tristeza, ira ou frustração que estávamos sentindo em um dado momento podia ser encapsulada numa seleção de músicas. As pessoas faziam mixtapes que correspondiam a certos estados emocionais, e então podiam usá-las quando precisavam recuperar os ânimos ou se acalmar. Uma mixtape podia ser sua companheira, sua psiquiatra ou seu ombro amigo. (Byrne, 2012)2
Repito, TODA playlist possui um tema, talvez você possa pensar que, por exemplo, na rádio não existe tema, que as músicas são tocadas de forma aleátoria, ou em algum serviço de streaming de música, em uma mix de músicas aleatórias, não se engane, o tema parece oculto, mas existe uma intenção que pode ser inferida, e com algum conhecimento de causa, confirmada. Na rádio, uma determinada seleção de músicas pode ter sido arranjada pelo radialista como suas favoritas do momento, pode ter sido impulsionada por uma gravadora, ou simplesmente serem músicas muito pedidas pelas ouvintes, perceba, por mais aleatória que pareça uma compilação, se existe uma intenção por trás da escolha das músicas, a intenção é o tema.
Caso não tenha ficado claro o esoterismo da nossa arte, vamos agora ao exemplo dos streaming de música, mesmo que tu crie um perfil em algum serviço sem oferecer qualquer tipo de informação sobre seu gosto musical a plataforma, a mesma possui a intenção de não apenas reter o usuário, mas fazer com que utilize serviços pagos, a intenção aqui é óbvia, suas mixes e recomendações serão bombardeadas com hits dos mais diversos gêneros, e por mais que insista em não engajar na plataforma, isto é, não oferecer qualquer tipo de informação que possa ser usada para inferir algum tipo de informação sobre seu gosto musical a plataforma (curtir, salvar ou baixar músicas, etc), portanto usando de forma completamente artificial, a mesma já possui uma inimaginável base de dados das músicas mais ouvidas, curtidas e compartilhas por seus usuários, e será isso que irá tocar nas suas mixes e recomendações. Quanto mais engajar na plataforma, mas “precisas” serão suas recomendações, ou ao menos é o que informam a maioria desses serviços, e como seu código-fonte é proprietário e fechado, essa afirmação não passa de uma especulação da minha parte e uma promessa por parte deles.
Voltando a esfera pessoal, conscientemente ou não, suas playlists sempre possuirão temas, podem ser um genêro ou banda que está descobrindo no momento, um sentimento que está tentando florescer e/ou intensificar (ou mitigar), uma seleção de favoritos recentes ou de toda sua vida, algo que deseja expressar mas não sabe bem como o fazer, a música tem dessas, nos ajuda a transitar por caminhos do nosso consciente e subconsciente, caminhos muitas vezes obscuros. E para por em prática nosso pequeno método, vou utilizar o primeiro paragrafo dessa postagem como tema de uma playlist, e com base nesse tema, vou construir o tom da playlist.
Ganhar uma mixtape era uma coisa muito pessoal. Em geral, elas eram feitas para uma única pessoa, ninguém mais. (…) cada música cuidadosamente escolhida com todo carinho e humor, como se para dizer: “Eu sou assim, e com esta fita você vai me conhecer melhor”. (Byrne, 2012)3
Cenas do filme Memento Mori (Yeogo goedam II, direção de Kim Tae-yong e Min Kyu-dong), filme sul-coreano de 1999.
Tom
Aqui é onde seu repertório musical será posto a prova, o tom da playlist nada mais é do que a forma como o tema será expresso. Quais músicas transmitem o tema, as intenções que deseja? É aqui que a coisa fica completamente sobrenatural mesmo, pois não existe um limite pra música, músicas de gêneros, anos e artistas completamente diferentes podem estar tratando de um mesmo tema de formas completamente diferentes, sem que exista um certo ou errado, ou melhor, um mais ou menos apropriado, seja na estética sonora ou lirica. Como percebemos, ouvimos, sentimos e interpretamos músicas é um processo pessoal e intransferível, duas pessoas podem trabalhar sob um mesmo tema, mas dificilmente suas playlists terão o mesmo tom, pois somos influenciados pelo nosso passado (memória), pelo nosso estado de espirito atual, pelo contexto onde estamos inseridos, etc, poderíamos impor limites de gênero musical especifico por exemplo, e ainda sim dificilmente duas pessoas diferente fariam uma playlist sequer similares.
a percepção dos olhos (e ouvidos) da nossa mente é algo verdadeiramente variável. O que uma pessoa ouve e vê não é necessariamente o que será assimilado por outra. Nossos próprios órgãos sensoriais e, por consequência, até mesmo nossa interpretação de dados e leitura de instrumentos, são altamente subjetivos. (Byrne, 2012)4
Uma playlist diversificada normalmente é mais interessante e envolvente, é claro que novamente seu repertório musical será um limitador aqui, não se faz um playlist com músicas que não sabe que existem, eis ai uma ótima forma de descobrir novas músicas e artistas, ouvindo as playlists dos outros! Bem, mas pra frente irei oferecer algumas dicas e truques para montar sua playlist, mas agora voltamos ao nosso método. Quais elementos líricos e sonoros estou buscando? A procura por esses elementos é a parte mais divertida de se montar uma playlist, mas não pense demais, não se preocupe em fazer a playlist perfeita, com base no nosso caso de estudo, consigo pensar em algumas coisas:
- Saudades (😭)
- Distância (a gata está bem longe de mim)
- Frio (sinto muito frio)
- Calor (quero me esquentar)
- Introspecção (deixa eu curtir minha sofrência de boa)
Trabalhar alguns desses elementos pode parecer um trabalho alienígena ou esquizofrênico, mas acredite em mim e principalmente confie nos seus instintos! Vamos lá, o primeiro elemento, saudades, é o mais fácil de todos, mais da metade das músicas já compostas devem abordar algum tipo de saudade, é bem fácil encontrar músicas que falem disso. Distância é um elemento interessante, sabe o que é reverb? É aquele efeito sonoro de eco, a simulação da ambiência de espaços físicos, músicas com bastante reverb tem esse elemento, podem dar uma sensação de espaço amplo ou apertado, o que também ajuda no nosso próximo elemento, o frio, músicas de ambientação mais simples, introspectivas, com poucos elementos sonoros costumam emanar essa sensação de frieza, lembre de algumas músicas de voz e violão, ou voz e piano, aquelas belas canções de sofrência, elas não trazem esse aspecto opressivo do frio e da solidão? Instrumentos de sons agudos e metálicos também podem emanar esse frio agudo congelante. O calor é outro elemento comum na música, instrumentos elétricos distorcidos normalmente tem um som quente, músicas com sons de baixo (o instrumento) bastante presente tem esse aspecto mais quente, sons mais graves dão essa sensação de calor.
Confesso, não fui nem um pouco objetivo na forma que descrevi os elementos, literalmente qualquer gênero musical, artista/banda ou música pode conter esses elementos, porém já temos um norte, faz parte da natureza sobrenatural da música, não sabemos exatamente como, mas temos uma boa ideia de onde procurar, novamente seu repertório musical entra em cena, caso seja limitado, contendo apenas uns poucos gêneros diferentes de músicas ou coisas muito adjacentes (muito parecidas) sua playlist muito provavelmente será mono tonal, linear, sem graça, agora se tiver um repertório diversificado de artistas e gêneros musicais, a probabilidade de fazer uma compilação altamente interessante e divertida cresce exponencialmente. Não tenha receio de brincar de misturar artistas e principalmente gêneros musicais muito diferentes, ao ouvir a combinação das músicas, saberá exatamente se deu certo ou não.
Cena do filme Lost in Translation (Direção Sofia Coppola), filme norte americano de 2001.
Dicas e truques
Caso não tenha percebido, nada que escrevo aqui está talhado na pedra, não passam de recomendações, possíveis caminhos a se seguir, mas existe algumas táticas que podemos empregar nas nossas playlists para torná-las mais interessantes, a seguir ilustro algumas delas, mas lembre-se, tudo depende.
A ordem importa?
Se sua playlist tem entre uma à duas horas de tempo de reprodução, eu diria que é interessante pensar na ordem das músicas, o contexto aqui importa, quando normalmente ouvimos músicas? Particularmente ouço mais quando estou a caminho do trabalho ou voltando pra casa, o que me dá de uma a duas horas pra escutar música. Em outros contextos, posso ter mais tempo pra ouvir, mas possivelmente minha atenção estará dividida, como no trabalho, onde constantemente sou obrigado a pausar ou interromper a reprodução. Já em casa, fazendo aquela faxina geral semanal, tenho mais horas (e atenção) a minha disposição. Em suma, acredito que se a playlist tem mais de duas horas, a ordem pouco importa, dificilmente será possível ouvir todas as músicas, é mais negócio meter no aleatório e deixar o acaso me mostrar as músicas, já que se for de cabo a rabo, sempre vou ouvir as mesmas músicas, as mais no topo da lista.
A escolha das músicas e de sua ordem permitia que você comunicasse coisas que poderia ter vergonha de dizer cara a cara. As canções em uma mixtape feita por uma pessoa amada eram analisadas com todo cuidado à procura de pistas e metáforas que pudessem revelar certos detalhes e sentimentos mais profundos escondidos naquela carga emocional. As seleções de músicas – organizadas das formas mais criativas possíveis – se tornou uma nova forma de expressão. (Byrne, 2012)5
Mistureba de gêneros e décadas
É mais fácil fazer algo envolvendo subgêneros de um determinado gênero, por exemplo, rock e subgêneros de rock, metal e subgêneros de metal, etc, são coisas muito próximas, adjacentes, agora o verdadeiro desafio, e consequentemente o que torna uma compilação algo interessante é misturar coisas mais distantes, pensando na sonoridade mesmo, já deve ter tido a experiência de estar na pista de dança da boate/balada e estar tocando uma sequência matadora de músicas, eis que a próxima música brocha totalmente o clima, aquela hora que tu aproveita pra ir ao banheiro ou pegar mais bebida no bar, o DJ tem alguns motivos muito bons pra fazer isso, mas não deixa de ser frustrante, caso não seja sua intenção dar esse choque, talvez essa música não pertença a essa lista.
É aquilo, algumas coisas simplesmente funcionam, apesar de não sabermos exatamente o porque, às vezes podem funcionar incrivelmente bem, mas não pra todo mundo, brinque de colocar coisas de décadas diferentes também, mesmo coisas de um mesmo gênero/subgênero podem soar bem diferentes feitas atualmente comparada há 30 anos atrás. A mistureba é um tática muito valiosa, caso não conheça, sugiro pesquisar sobre as versões alternativas de músicas famosas, os famosos remixes, você vai se surpreender como algumas podem parecer um crime contra a humanidade enquanto outras soam como combinações maravilhosamente impossíveis, ou mesmo transformar músicas originalmente sem graça em algo fantástico!
Posso repetir?
Como disse Robyn no video no início da postagem, a não ser que seja esse seu tema, tipo as melhores músicas de determinado artista, gênero, etc, repetir um mesmo artista/banda e/ou músicas de álbum parece amador, relaxado, com um repertório musical fraco, o mundo da música é vasto e não para de crescer, por que estou ouvindo metade de um álbum numa playlist?
Brinque com a dinâmica
Em teoria da música, dinâmica é a força na qual um determinado trecho de uma música deve ser tocado, para quem não nunca tocou um instrumento musical, pode querer fazer a comparação com o volume, o quão alto o som deve ser, mas essa comparação é enganosa, a dinâmica altera o volume mas o volume não altera a dinâmica. Vamos pensar em alguns adjetivos pares que se opõem, lento e rápido, calmo e agitado, quente e frio, essas dicotomias são fácies de assimilar, mas como quase tudo, as coisas não são preto e branco, mas uma grande área cinzenta. Duas músicas podem ser agitadas, mas uma mais que a outra, muito mais ou apenas um pouco mais, sacou?
Brincar com a dinâmica é criar essa convergência sonora na sua seleção de músicas, isso ajudar a criar um clímax, com músicas cada vez mais intensas sendo tocadas em sequência, ou de quebra, quando uma música bem lentinha é colocada logo após uma super agitada ou vice-versa.
Pode parecer “inapropriado” colocar canções mais dançantes ou agitadas em playlists de sofrência por exemplo, mas essa suposta contradição pode funcionar muito bem, quantas músicas tu não conhece que são agitadas mas tem uma letra de dor o coração? No resultado final dessa brincadeira, eu havia escolhido a música Point of no Reply do The Horrors como última música da playlist, mas apesar do instrumental sensacional, completamente condizente com o tema que eu havia pensado, a letra falava sobre término de uma relação, o que acabava quebrando muito o clima, principalmente sendo a última música, ai resolvi trocar pela Temporal Love da SRSQ, que tem uma dinâmica sonora semelhante, mas com uma letra mais apropriada ao meu tema.
Outra troca que fiz, desse vez escolhendo outra música de uma mesma banda foi no meio da playlist, inicialmente havia escolhido a música Dawn do 2:54, inicialmente me parecia soar bem as outras músicas, sonora e liricamente, porém depois de algumas audições senti a necessidade de adicionar um pouco mais de intensidade, então troquei ela por outra música do mesmo EP, Get a Hold, é uma música BEM intensa, com uma ambiência vocal e rítmica super fria em contraste com guitarras e baixo super distorcidos trazendo um calor gigantesco pra música, e a letra combinou muito bem com o que eu queria sentir, achei que casou perfeitamente com o tema e o tom que procurava.
David Beckham fotografado por John Rogers, 1999.
O produto da brincadeira
Bem, utilizando meu método e fazendo uso do meu respeitavel reportório musical, cheguei a um resultado que me satisfez e ativou os sentimentos que queria intensificar, se tu leu até aqui, adoraria saber o que achou das músicas! E pra surpresa de ninguém, não fui nem um pouco inventivo na escolha das músicas, quem me conhece sabe, sou um rockeiro™️ e usei músicas de gêneros muito próximos, como darkwave, shoegaze, art pop, indie rock e dream pop. Os artistas são majoritariamente pouco conhecidos, mas fiz questão de colocar alguns nomes mais famosos pra não ficar muito obscura. A seguir o resultado, e pra quem usa outros streaming de música que não o Tidal, também deixei essa seleção no Deezer, Spotify e Youtube Music.
Dois modelos diferentes de iPods.