Submundo

Favoritos de 2025

Escrito por Bruno Venâncio.

Quem me conhece sabe que sou doente por música, e já que iniciei meu novo hobby de ser um blogueirinho, obviamente eu tinha que fazer uma listinha do que mais gostei nesse ano na música. Diferente do que é comumente feito por ai, não vou ranquear numericamente as coisas, acho meio ridículo, cada álbum me tocou de forma diferente, claro que acabei gostando mais de uns do que de outros, mas dizer que artistas/bandas lançaram algo melhor que outros, mesmo sendo categoricamente semelhantes, me parece inapropriado.

Espero que gostem e principalmente que descubram algo novo que vá te deixar obcecado(a) assim como eu fiquei hehehe. Essa não é nem de longe uma lista compreensiva, tenho minhas preferências musicais (a santíssima trindade: rock, metal e alternativa!) e sempre foco nelas ao ouvir coisa nova, por isso vai ficar bem evidente que muita coisa que não saiu da boca e ouvidos da galera não está aqui, muito provavelmente não foi do meu interesse (no momento, isso muda constantemente hehe). Vamos começar com os álbuns que não saíram dos meus ouvidos, e pra facilitar a vida de quem tem medo de ouvir um álbum inteiro, deixo também minhas três músicas favoritas de cada álbum citado.

Favoritos 🤩

Private Music

Deftones

Artista/Banda

Private Music (2025)

Álbum/Ano

🇺🇸 Estados Unidos

País

Nu-Metal, Metal Alternativo

Gêneros

Acho que chega uma hora na carreira de uma banda que ela não precisa provar nada pra ninguém, as má línguas podem dizer que Deftones já deu o que tinha que dar, sendo fã ou hater, a verdade que eles continuam na mesma linha dos seus trabalhos antecessores, Ohms (2020) e Gore (2016). Acontece que mesmo sem grandes “novidades” na sonoridade da banda, permanecendo com seu estilo característico, mostram pela terceira vez seguida que sabem muito bem fazer músicas boas, e Private Music, assim como os antecessores, é cheio delas, o ritmo é intenso do início ao fim, com uma “baladinha” no meio dar um gostinho diferente. Sem inventar moda, Deftones prova mais uma vez que dá pra fazer mais do mesmo sem ser chato.

Ouça:

Sable, Fable

Bon Iver

Artista/Banda

Sable, Fable (2025)

Álbum/Ano

🇺🇸 Estados Unidos

País

Folktronica, R&B, Soul

Gêneros

Em uma incrível mistura da música indie, folk e eletrônica, com alguns toques muito cuidadosos de batidas e experimentalismo que foi herdado dos seus trabalhos anteriores, Bon Iver aparentemente alcançou a sobriedade! Diferente do choque rítmico e elétrico dos seus trabalhos antecessores, aqui ele parece que finalmente entendeu como as coisas funcionam e colocou cada coisa no seu devido lugar, nada parece demais ou de menos, tudo parece ter sido colocado precisamente no seu devido lugar, resultou em músicas excelentes, com bastante ambiência, emoção e substância. Aqui Justin Vernon está mais intenso que nunca, finalmente encontrou entre a voz, o violão, a máquina de batidas e o sintetizador, o ponto de equilíbrio, e a participação especial da voz e letra de Danielle Haim em duas músicas parecem uma deliciosa cereja sob um delicioso bolo de inverno.

Ouça (TODAS, mas se tiver que escolher mesmo):

Virgin

Lorde

Artista/Banda

Virgin (2025)

Álbum/Ano

🇳🇿 Nova Zelândia

País

Indie Pop, SynthPop, Art Pop

Gêneros

Se Lorde fosse uma artista “menor”, se é que é possível mensurar isso, muito provavelmente esse álbum passaria batido nas listas de melhores do ano, como infelizmente aconteceu com alguns dessa minha listinha. Aqui Lorde está intensamente confessional e vulnerável, sem o menor receio de mostrar seu “lado sombrio” e seus sentimentos proibidos, uma análise superficial poderia resumir esse álbum apenas nisso, porém, ao levar sua discografia em consideração, fica evidente que ela NUNCA teve medo de ser vulnerável e confessional, sendo essas qualidades, na verdade, sua marca registrada. Virgin pode não ser tão visceral como seus antecessores, mas ela faz questão de mostrar o que tem dentro de si (literalmente).

Ouça:

Everybody Scream

Florence + the Machine

Artista/Banda

Everybody Scream (2025)

Álbum/Ano

🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿 Inglaterra

País

Indie Rock, Chamber Pop, Folk Rock

Gêneros

Se existe uma coisa que a Florence é boa é em abrir seu coração, coitada, ela é uma mulher que foi amaldiçoada com amar as coisas muito intensamente, ela mesma confessa “Porque eu sei como me apaixonar, eu faço isso constantemente, eu me apaixono por todo mundo que conheço por dez minutos e vou embora”. Agora, o que acontece quando um pitada pra lá de grande de um ingrediente bastante volátil, a raiva, é adicionado ao seu grande caldeirão musical? Em Everybody Scream, a bruxona mostra como seu mais novo ingrediente elevou a décima potência seu arsenal alquímico musical. Ela dá tudo de si, abre o coração e a alma, lança palavras venenosas e amaldiçoa aquele(s) que partiram seu coração, ela não mede esforços, cada música é uma magia, ora de sangramento, hora de cura. Florence está ácida e arisca, ela foi ferida, então invocou todos os seus demônios e os expulsa graciosamente.

Ouça (TODAS, mas se não der):

EUSEXUA, EUSEXUA After Glow

FKA Twigs

Artista/Banda

EUSEXUA, EUSEXUA After Glow (2025)

Álbum/Ano

🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿 Inglaterra

País

Trip Hop, Glitch Pop, Experimental

Gêneros

Outra que comeu o pão que o diabo amassou foi Tahliah Barnett, mas conhecida pelo seu nome artistico, FKA Twigs, incrivelmente a gata segue em frente sem pestanejar, cada vez mais forte e sem medo de continuar abrindo seu coração. Não basta ter uma discografia sólida, a gata esse ano chutou o balde e dobrou a aposta, não lançou apenas um, mas três (pelo amor de deux, TRÊS!) álbuns, empreitada que tinha absolutamente TUDO pra dar errado, acontece que ela é gata de rua, muito esperta, ela sabe exatamente o que está fazendo! No início do ano lançou EUSEXUA, que não saiu dos meus ouvidos desde então, aqui ela está mais dançante do que nunca, com certeza seu trabalho mais “comercial”. Agora no final do ano, lançou uma espécie de versão alternativa de EUSEXUA, surpreendentemente tão bom quando a primeira versão, mas a pancada mesmo foi EUSEXUA After Glow, o que poderia se dizer que é a versão “da vida noturna”, mais intensa, mais emocional, mas sombria e impossivelmente mais dançante. Pode parecer mentira, mas a gata conseguiu lançar três excelentes álbuns em menos de um ano, apesar de algumas listas não lhe fazer justiça, a gata estará SEMPRE no topo da minha lista de melhores do 2025.

Em EUSEXUA (versão 1 de janeiro), ouça:

Em EUSEXUA (versão 2 de novembro), ouça:

Em EUSEXUA After Glow, ouça:

Tsunami Sea

Spiritbox

Artista/Banda

Tsunami Sea (2025)

Álbum/Ano

🇨🇦 Canadá

País

Metalcore, Metal Alternativo

Gêneros

Quando uma banda faz muito barulho com um álbum de estreia, seu sucessor normalmente é recebido com opiniões divididas, poucas bandas são capazes de manter o alto nível que atingiu com a estreia, felizmente, aqui o pessoal do Spiritbox prova não apenas que consegue manter a peteca no ar, mas que consegue ir ainda mais longe. Diferente do seu antecessor Eternal Blue (2021), um álbum bem variado ritmicamente, aqui a banda escolheu o volume máximo do início ao fim, tiro, porrada e bomba até a última música, intensidade máxima, e pelo que tudo indica, não mostram o menor sinal de cansaço.

Ouça:

Lonely People With Power

Deafheaven

Artista/Banda

Lonely People With Power (2025)

Álbum/Ano

🇺🇸 Estados Unidos

País

Blackgaze, Black Metal, Post-Metal

Gêneros

Essa é uma daquelas poucas bandas na qual qualquer tentativa de definição muito provavelmente será incorreta ou imprecisa, já que a própria banda aparentemente busca a cada trabalho expandir os limites dos gênero ou sub-gêneros no quais tentam encaixa-la. O que agrava toda a situação é que os caras não são apenas bons, mas excelentes no ofício da sujeira musical! Depois do surpreendente Infinite Granite (2021), Deafheaven parece voltar ao origens com um Black Metal/Post-Metal da mais alta qualidade, o que é muito curioso pois, particularmente, normalmente acho essas bandas um porre! Até hoje não sei qual o (ou os) ingrediente(s) especial(is) que tornam essa banda tão boa, o máximo que consigo fazer é especular, mas uma coisa é certa, o que quer que eles estejam fazendo, eles fazem muito, mas muito bem.

Ouça:

Willoughby Tucker, I'll Always Love You

Ethel Cain

Artista/Banda

Willoughby Tucker, I'll Always Love You (2025)

Álbum/Ano

🇺🇸 Estados Unidos

País

Slowcore, Indie Rock, Ambiente

Gêneros

No início do ano Ethel assustou deux e o mundo com o lançamento de Perverts, um álbum surpresa e completamente diferente de qualquer coisa que ela já havia lançado anteriormente, um álbum de drone/ambiente que eu poderia imaginar ter sido feito por qualquer um menos ela, particularmente o choque me foi tão grande que simplesmente não consegui aceitar que era um álbum dela, a decepção bateu muito forte em mim. Felizmente, ela lançou alguns meses depois um “álbum de verdade”, incrivelmente trazendo alguns elementos do Perverts muito menos exagerados e pontuais, mas ainda focando na sonoridade gótica sulista norte americana característico dela. Honestamente, se eu nunca tivesse ouvido Perverts, talvez esse álbum teria crescido mais em mim, mas graças a deux ele existe, caso contrário acho que a gata teria cometido um suicídio artístico em sua carreira.

Ouça:

Sharon Van Etten & The Attachment Theory

Sharon Van Etten & The Attachment Theory

Artista/Banda

Sharon Van Etten & The Attachment Theory (2025)

Álbum/Ano

🇺🇸 Estados Unidos

País

Indie Rock

Gêneros

Sharon, pra mim, sempre foi uma roqueira, mas a julgar pelos seus álbuns, fica difícil reconhecer isso mesmo, sempre confessional e um tanto minimalista, em seu sétimo trabalho, ela junto uma banda, The Attachment Theory, e entrega um som mais sujo, complexo e mais trabalhado do que ela costuma fazer sozinha, não que o que ela fazia era simples, mas me parece que foi necessário juntar uma galera para ir um pouco além. Aqui ela entrega um dos seus trabalhos mas bem produzidos de sua carreira.

Ouça:

Sunlight In The Shadows

Miles Kane

Artista/Banda

Sunlight In The Shadows (2025)

Álbum/Ano

🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿 Inglaterra

País

Indie Rock, Garage Rock, Glam Rock

Gêneros

Pra quem, como eu, já estava com saudades do Last Shadows Puppets, o novo álbum solo do Miles consegue aplacar um pouco dessa saudade. Apesar de nunca ter mergulhado a fundo na sua carreira solo, é inegável a semelhança sonora com seu projeto com Alex Turner, mas aqui ele é um pouco mas espalhafatoso e performático. Eu queria MUITO saber o que tem na água dos ingleses porque não é possível essa galera saber fazer rock tão bem assim sem (aparentemente) o menor esforço, considerando a produção do Dan Auerbach (Black Keys) nesse trabalho, as coisas já ficam mais claras.

Ouça:

Giants & Monsters

Helloween

Artista/Banda

Giants & Monsters (2025)

Álbum/Ano

🇩🇪 Alemanha

País

Power Metal

Gêneros

Uma banda com quarenta anos de carreira que ainda tem fôlego e consegue entregar bons trabalhos é bastante raro, e acredito que Helloween é uma dessas bandas, aqui eles não fazem nada de diferente do que costumam fazer, não tentam reinventar a roda nem trazer nada de novo ao gênero, mas milagrosamente conseguem fazer músicas boas, com a identidade da banda e o melhor, sem soar como a mesma música e o mesmo álbum toda vez, o que pra mim já é motivos suficientes para parabenizações. Power Metal é um gênero super saturado, é bom que ainda tem bandas que sabem como se faz.

Ouça:

Ascension

Paradise Lost

Artista/Banda

Ascension (2025)

Álbum/Ano

🇬🇧 Reino Unido

País

Gothic Metal, Doom Metal

Gêneros

Um novo álbum depois de um trabalho excelente é sempre um pouco assustador, principalmente no meio do metal, em 2020, Paradise Lost lançou um dos melhores álbuns do gênero naquele ano, Obsidian, o que claro aumentou minhas expectativas para o próximo trabalho. Cinco anos depois, eles voltam com Ascension, e surpreendeu a galera pois não apenas está no mesmo nível do antecessor, sendo um excelente álbum, aqui eles resgatam as influências do início da carreira, mas voltado para o Gothic e pro Doom, porém com uma sonoridade muito mais moderna e pesada. Com dois melhores do ano seguidos, já podemos dizer que eles já são mestres do gênero.

Ouça:

The Bestiary

Castle Rat

Artista/Banda

The Bestiary (2025)

Álbum/Ano

🇺🇸 Estados Unidos

País

Doom Metal, Stoner Rock

Gêneros

Metal é um dos gêneros que menos ouço, não porque desgosto, muito pelo contrário, mas porque tenho um certo problema com ele, a quantidade de bandas que, apesar de tecnicamente impecáveis, serem completamente sem graça, forçadas ou pior, sem a menor identidade é muito grande, é aquilo, ou a banda é MUITO boa ou é MUITO ruim, parece que não existe um meio termo. Castle Rat é uma banda que pode ser acusada de muitas coisas, agora de serem sem graça e sem identidade jamais, completamente imersos no mundo da fantasia medieval, eles se vestem a caráter e fazem clipes de baixo orçamento divertidos, tendo o Doom como trilha sonora do que parece um sessão de RPG em forma de música. The Bestiary segue a mesma linha do antecessor, mas é possível ouvir a banda ao menos tentando ir um pouco além.

Ouça:

Perimenopop

Sophie Ellis-Bextor

Artista/Banda

Perimenopop (2025)

Álbum/Ano

🇬🇧 Reino Unido

País

SynthPop, ElectroPop, Disco

Gêneros

Sophie é uma daquelas artistas conhecidas por um hit de sua carreira, eu mesmo não conheço nenhum dos seus trabalhos anteriores, foi então que o uso do seu grande hit “Murder on the Dance Floor” no detestável filme “Saltburn” trouxe a gata de volta aos holofotes. Resolvi dar uma chance pro seu mais novo lançamento e rapaz, como eu adorei esse álbum! Não sei como ele fica em relação aos seus trabalhos anteriores, mas aqui ela entrega um pop dançante, bem produzido e sem muito firula, não saiu dos meus ouvidos desde que foi lançado, tô só esperando a obsessão diminuir pra conferir sua discografia. É praticamente um crime esse álbum não ter saído nas principais listas de melhores do ano, mas aqui eu faço justiça pra ela!

Ouça:

Night Life

The Horrors

Artista/Banda

Night Life (2025)

Álbum/Ano

🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿 Inglaterra

País

Garage Rock, Gothic Rock, Shoegaze

Gêneros

Sete anos após o excelente V (2017), The Horrors voltam com Night Life, seu sexto álbum de estúdio, aqui eles não tentam inventar muita moda, seguindo as mesmas fórmulas dos seus trabalhos anteriores, muita distorção e ambiência ecoando nas músicas. Novamente eu me pergunto o que tem na água do Reino Unido pra ter tanta banda tão boa assim, e novamente me pergunto o que aconteceu pra esse também estar ausente na maioria das listas de melhores do ano do gênero. Eles podem não ter tentado nada novo, mas fizeram um álbum muito bom.

Ouça:

Princess of Power

Marina

Artista/Banda

Princess of Power (2025)

Álbum/Ano

🇬🇧 Reino Unido

País

Dance Pop, Euro Disco, SynthPop

Gêneros

Marina, ao trocar de nome artistico, parece que também trocou de alma, a gata teve um início de carreira sensacional, lançando nada menos que três álbuns excelentes, um atrás do outro, mas algo aconteceu no meio do caminho no qual ela resolveu tirar o “and the Diamonds” do nome e o que saiu depois disso (tenho até medo de citar o nome do álbum, Love + Fear, 2019 [batendo três vezes na madeira]) foi uma das coisas mais qualquer coisa que eu ouvi em toda minha vida. Aparentemente, a gata percebeu o erro e desde então anda voltando, mesmo que lentamente, o caminho que trilhou no início da carreira, fico feliz que a empreitada está dando certo, esse álbum traz aquela energia dos seus melhores trabalhos, mas sem tentar simplesmente repetir a fórmula. Acredito que se ela não tivesse acabado com sua reputação lá em 2019, talvez esse álbum não tivesse passado batido pelas listas desse ano.

Ouça:

Chin Up Buttercup

Austra

Artista/Banda

Chin Up Buttercup (2025)

Álbum/Ano

🇨🇦 Canadá

País

Art Pop, SynthPop, Indie Pop

Gêneros

Austra é um artista/banda/projeto muito interessante que infelizmente não tem a merecida atenção, ela consegue fazer uma mistureba de gêneros eletrônicos na qual, na maioria das vezes, saem boas músicas. Apesar de ter se perdido um pouco no trabalho anterior um tanto sem graça (Hirudin, 2020), ela volta depois de cinco anos e mostra que dá pra ser feliz no simples também, um pouco estranho vindo de uma artista como ela, aqui ela apresenta uma sonoridade e produção mais simples comparado ao que estamos acostumado dela, bem basiquinha mesmo, mas com alguns destaques.

Ouça:

Cataclysm

Zanias

Artista/Banda

Cataclysm (2025)

Álbum/Ano

🇩🇪 Alemanha

País

Dark Wave, SynthPop, Trance

Gêneros

Sempre que um artista lança algo muito bom, o medo de deixar a peteca cair é grande, não faltam exemplos de artistas que não conseguem superar ou mesmo atingir as expectativas depois de um grande sucesso, aqui na minha listinha tem até alguns exemplos, felizmente (ou não), Alison Lewis ainda é uma artista bem pequena, então não tem medo de levar seu som adiante, sempre experimentando novas sonoridades, aqui ela pega tudo que funcionou nos excelentes antecessores, Chrysalis (2023) e Ecdysis (2024) e aumenta um pouco a potência, a arte de capa já mostra que ela está pronta pra batalha e suas músicas seguem um ritmo sempre intenso, se distanciando ainda mais dos sons e ritmos sombrios de darkwave e EBM do início da sua carreira.

Ouça:

Plæygirl

Artista/Banda

Plæygirl (2025)

Álbum/Ano

🇩🇰 Dinamarca

País

Electropop, SynthPop, Indie Pop

Gêneros

Outra que fez um trabalho absolutamente incrível (No Mythologies To Follow (2011)) e aparentemente esqueceu como se faz músicas é a MØ, com exceção de uma música ou outra, tudo que ela lançou depois do seu primeiro álbum foi ficando exponencialmente mais sem graça, genérico e porcamente produzido. Esse ano ao que tudo indica ela busca a redenção com Plæygirl, um trabalho bem dançante, com espírito e até bem simples, mas que entrega bastante diversão. Mais um vez me pergunto por que esse álbum foi completamente esquecido pela crítica e pelo público geral nas listinhas desse fim de ano, ela definitivamente merece mais atenção, agora que lembrou como se faz música boa.

Ouça:

The Clearing

Wolf Alice

Artista/Banda

The Clearing (2025)

Álbum/Ano

🇬🇧 Reino Unido

País

Indie Rock, Rock Alternativo

Gêneros

A cada novo álbum, é possível ver, ou melhor, ouvir o progresso da banda, vindo de sonoridades mas frias e intimistas e ficando cada vez mais intensos, quentes e grandiosos (curiosamente indo na contramão da tendência no rock, mesmo o alternativo), seu quarto álbum talvez seja o mais intenso de sua discografia, depois de muitas audições, ainda não estou certo se é melhor ou não que o antecessor (Blue Weekend, 2021), que eu adorei, mas fico feliz que a banda continua levando o som adiante e experimentando coisas novas, tenho a impressão que é um disco feito pra shows mesmo, já que inclusive eles aparecem por aqui no Brasil ano que vem.

Ouça:

Ego Death at a Bachelorette Party

Hayley Williams

Artista/Banda

Ego Death at a Bachelorette Party (2025)

Álbum/Ano

🇺🇸 Estados Unidos

País

Indie Rock, Rock Alternativo

Gêneros

Esse álbum não saiu da boca dos fãs e se eu não estivesse obcecado em outras coisas, teria conferido ele mais cedo, ao ouvir depois da hype, fico me perguntando o que viram de tão interessante aqui, isso não é uma crítica negativa de forma alguma, aqui Hayley faz algo muito diferente e distante do seu ótimo trabalho anterior, ela está mais divertida, experimental e faz um cover pra lá de inusitado de um hit dos anos 2000. Esse saiu em todas as listas de melhores do ano feitas por fãs, já a crítica especializada meio que fingiu que não ouviu, particularmente gostei bastante, mas continuo sem entender o porque da hype.

Ouça:

Sanguivore II: Mistress of Death

Creeper

Artista/Banda

Sanguivore II: Mistress of Death (2025)

Álbum/Ano

🇬🇧 Reino Unido

País

Gothic Rock

Gêneros

Eu ADORO quando um artista ou banda assume uma identidade sem medo de parecer ridículo, muitos tentam e até conseguem entregar uma estética (visual) bem legal, mas nem sempre o som acompanha a qualidade dessa tal identidade (Ghost eu estou olhando pra ti). Aqui, o pessoal do Creeper não tem medo de ser “trevoso”, vampiresco e profano, e o mais surpreendente é a mistura de ritmos e gêneros que a banda consegue fazer com maestria, do opera rock até o post-punk, inclusive com toques de instrumentos de sopro! Pode parecer esdrúxulo, principalmente levando em consideração a leve conotação sexual inclusiva no pacote da estética vampírica, “Seja minha parasita (chupa, chupa, chupa!)” eles cantam, é bom deixar essa banda bem longe do seu conservador sexualmente reprimido local, ele vai detestar! Particularmente, eu adorei, quase me faz acreditar que os caras realmente fizeram pacto com o capiroto, pois é incrível como toda essa mistureba funciona muito bem. Tem participação da Patricia Morison (ex-Sisters of Mercy) nas músicas de abertura e encerramento, e Blood Magick pra mim é o hit do ano no quesito melhores músicas trevosas do ano.

Ouça:

The Spin

Messa

Artista/Banda

The Spin (2025)

Álbum/Ano

🇮🇹 Itália

País

Doom Metal

Gêneros

O metal pode até parecer um gênero super subversivo, até você mergulhar de cabeça e perceber que a maioria das bandas soam exatamente como a maioria das bandas, chato demais, como falei anteriormente, esse é o meu principal problema com o gênero, então, quando aparece uma banda com uma estética sonora própria, e principalmente sem medo de experimentar, é preciso dar atenção mesmo. Messa quase passou batido por mim esse ano, felizmente eu sigo uma galera que ainda compartilha as coisas boas que saem por ai e entendi a hype em cima do álbum, aqui tu vai encontrar um Doom metal bem diferentão (estamos testemunhando uma renascença do gênero? Deixo aqui meu questionamento), não é toda banda de metal que tem a moral de meter um saxofone no meio de uma música e ficar legal, isso sim é o que eu chamo de subversão de gênero.

Ouça:

Never/Know

The Kooks

Artista/Banda

Never/Know (2025)

Álbum/Ano

🇬🇧 Reino Unido

País

Indie Rock

Gêneros

Infelizmente the Kooks é uma banda que sempre revisito os excelentes primeiro e segundo álbuns, mas nunca dou a devida atenção aos demais trabalhos deles, mesmo tendo curtindo algumas músicas soltas deles. No primeiro ano do apocalipse pandêmico, 2020, eles lançaram nada menos que três ótimos EPs (Unshelved parte 1, 2 e 3), cada um como uma seleção de músicas lado B que não entraram na lista de faixas do seu álbuns mais recentes, se eu não enlouqueci naquele ano, devo muito a esses EPs! Apesar de não conhecer a fundo suas discografia, esse novo trabalho deles parece reunir o que de melhor eles fizeram na última década, um indie rock sujo (não tanto quando o início da carreira), letras românticas de um típico cafajeste mulherengo e algumas levadas e ritmos de reggae que surpreendentemente combinam muito bem com o todo das músicas. Esse álbum originalmente eu iria colocar na seção seguinte, pois ouvi quando saiu mas minha cabeça deveria estar na lua pois não chamou minha atenção, mas enquanto escrevia essa postagem fiquei tão obcecado que entrou para o favoritos!

Ouça:

(Quase) Passou batido 🫨

Ser um membro da classe proletária infelizmente me impede de passar mais tempo ouvindo música (como se eu já não ouvisse música DEMAIS), eu já ouço música em casa, na rua e muitas vezes do trabalho, mas tem dias ou semanas que acabo deixando umas coisas passarem mesmo, às vezes não conheço o artista/banda, salvo pra depois e esqueço, ou simplesmente não chamou minha atenção. Independente do que tenha acontecido, esses nomes de um jeito ou de outro voltaram ou não saíram do meu radar, ouvi todos ao menos uma vez, mas infelizmente não consegui dar a devida atenção que eles merecem, mas espero mudar isso em breve. Não vou me estender muito aqui, são mais primeiras impressões de coisas bem faladas ao longo do ano.

Madonna - Veronica Electronica (🇺🇸 Techno Pop, Trip Hop, Eletrônica)

Será que um álbum de remixes e b-sides de um clássico absoluto pode dar errado? Uma galera não gostou que esse não conta com o produtor do álbum original, honestamente não sei dizer se fez falta.

Wet Leg - Moisturizer (🇬🇧 Indie Rock, Power Pop)

Essa banda fez um barulho em seu primeiro álbum e agora faz barulho no seu segundo, os clipes e lives que vi são super divertidos, definitivamente merece mais atenção.

Lily Allen - West End Girl (🇬🇧 Indie Pop, Eletropop)

Não acompanho muito a carreira dela, mas saber de toda a falcatrua do seu agora ex-marido é algo que a gente não ganha com frequência no mundo da música, não saiu da boca das gays por semanas e rendeu muitos memes, obrigado gays!

Pinkpantheress - Fancy That (🇬🇧 UK Garage, R&B, Drum and Bass)

Essa pantera rosa anda dando o que falar, seja na música ou em algumas opiniões meio tortas dela (quem odeia gatos pelo amor de deux?), apareceu em todas as listas, fui ver umas lives e acho que ela ainda tem uma certa dificuldade de entregar no ao vivo a performance do álbum.

Olivia Dean - The Art of Loving (🇬🇧 R&B, Soul)

Confesso que só dei uma chance pra Olivia depois de vi um pessoal que confio na opinião falar sobre, dei play com todos os preconceitos do mundo e fui surpreendido com um disco bem gostosinho.

Arch Enemy - Blood Dinasty (🇸🇪 Melodic Death Metal)

Esse é o último álbum com Alissa White-Gluz nos vocais, que saiu alguns meses depois do lançamento, não sei muito bem o que sentir sobre ele.

Agriculture - The Spiritual Sound (🇺🇸 Post-Black Metal)

Não teve um metaleiro desgraçado que eu conheço que não babou ouvindo esse, honestamente, não entendi a hype, mas tá ai na boca da galera.

Hatchie - Liquorice (🇦🇺 Dreampop, Shoegaze, Indie Rock)

Eu tenho um caso de amor e ódio com Hatchie, eu sempre detesto o que ela lança e depois magicamente começo a amar, então já podem imaginar onde estou no momento em relação a esse.

Garbage - Let All That We Imagine Be The Light (🇺🇸 Rock Alternativo, Rock Eletrônico)

Ouvi esse algumas vezes quando saiu mas nenhuma música ficou na minha cabeça, confesso que estava fazendo várias coisas ao mesmo tempo, então preciso dar uma atenção melhor pra esse.

Melody’s Echo Chamber - Unclouded (🇫🇷 Dreampop, Indie Rock)

Essa gatinha francesa lançou esse enquanto eu estava começando a escrever essa postagem, então não deu tempo de absorver completamente a energia dele, mas posso adiantar que ela tá com tudo!

White Lies - Night Light (🇬🇧 Indie Rock, Pós Punk)

Esse por muito pouco quase que passa completamente despercebido por mim, não vi ninguém falar sobre, adoro a banda (novamente, os ingleses!) e ainda não dei a devida atenção pra esse.

Arcade Fire - Pink Elephant (🇨🇦 Indie Rock)

Acusados (algumas vezes) de um dos piores álbuns do ano, devo dizer que eles já estão nesse marasmo criativo já a algum tempo, se é tão ruim assim mesmo, honestamente não sei dizer.

Of Monsters and Men - All is Love and Pain in the Mouse Parade (🇮🇸 Indie Rock, Indie Folk)

Outra banda que meio que se perdeu é essa, nada que eles lançaram depois do seu ótimo primeiro álbum me encantou, mas sou um homem que espera o melhor das pessoas, portanto sigo tentando, mas ainda não sei o que sentir sobre esse.

Beirut - A Study of Losses (🇺🇸 Folk, Baroque Pop)

Ouvir esse álbum num dia chuvoso com a mais absoluta certeza impactou muito minha primeira impressão a respeito, fica difícil opinar sob influência das forças da natureza, preciso ouvir mais vezes, porém sei que Beirut não costuma decepcionar.

Hooded Menace - Lachrymose Monuments of Obscuration (🇫🇮 Death Metal, Doom Metal)

Outro álbum que os metaleiros ficaram de pau duro, ouvi com a atenção divida entre tantos outros lançamentos, não saquei qual é que é desse, será que é isso mesmo que andam dizendo?

The Antlers - Blight (🇺🇸 Indie Rock, Indie Folk, Dreampop)

Essa já foi uma banda muito foda, mas o antecessor desse eu não gostei e esse parece que vou gostar menos ainda.

Shannon Wright - Reservoir of Love (🇺🇸 Indie Rock)

Existe algo no trabalho dessa mulher que me encanta, adoro tudo que ela faz, quando descobri que ela lançou coisa nova, sai correndo pra ouvir, minhas primeiras impressões foram ótimas.

Tame Impala - Deadbeat (🇦🇺 Rock psicodélico, Eletrônica)

A crítica falou muito mal desse álbum, os fãs ficaram divididos, na minha primeira audição já meti like numas três músicas hehehe.

Oklou - Choke Enough (🇫🇷 Art Pop, Hyperpop, Indietrônica)

Esse aqui também foi o queridinho do público e da crítica, saiu em todas as listas, mas não entendi muito bem a hype, dizem que é hyperpop, mas soa muito diferente do que esse gênero costuma ser, definitivamente preciso ouvir mais.

Jinjer - Duél (🇺🇦 Metalcore, Groove Metal)

Esse álbum saiu bem no período desse ano que menos ouvi música, no mínimo curioso hehe, mas cá estou eu correndo atrás do tempo perdido, Jinjer não costuma decepcionar e as primeiras impressões tardias aqui são ótimas.

Blutengel - Dämonen : Sturm (🇩🇪 Darkwave, DarkPop, SynthPop)

Essa banda é prolixa pra caralho, praticamente lançando um álbum por ano, e o pior (ou melhor), cada álbum é duplo ou triplo, com papo de umas duas horas de duração! Esse é o típico caso de fatiga musical que me impede de acompanha-los com mais atenção, os caras não sabem o que é descanso mesmo.

Decepções 🫤

Quando comecei esse blog no início do ano, me prometi uma coisa, focar meus escritos em coisas positivas e fazer criticas muito pontuais. Já estou pra lá de cansado dessa cultura de ódio, é aquela coisa do inimigo comum e tal, mas esse excesso de negatividade já provou não fazer nada bem pra nossas cabeçinhas. Se eu não gosto de algo, não vou usar do meu limitado tempo falando sobre isso, quero focar esse espaço pras coisas que eu amo mesmo. Vou abrir uma pequena exceção, pois são artistas e bandas que gosto muito, mas que acabaram lançando algo, digamos, abaixo da qualidade esperada, portanto, assim como na sessão anterior, não vou me alongar muito nisso.

Japanese Breakfast - For Melancholy Brunettes (& Sad Women) (🇺🇸 Indie Rock, Indie Pop)

Eu ADORO o álbum anterior dela, Jubilee (2021), e esse trabalho é exatamente o que eu poderia esperar dela, considerando toda sua discografia, infelizmente não me tocou em nada, e olha que eu AMO uma sofrência.

HAIM - I Quit (🇺🇸 Indie Rock, Indie Pop)

Esse é na minha opinião o pior lançamento do ano, é a coisa mais sem graça que elas lançaram, sendo que o álbum anterior delas já não era lá essas coisas, o que fizeram com minhas meninas haim pelo amor de deux?? Quanto mais tento dar uma chance pra esse, mais eu odeio ele.

Katatonia - Nightmares as Extensions of the Waking State (🇸🇪 Gothic Metal)

Segundo o last.fm eu ouvi esse álbum do início ao fim pelo menos umas cinco vezes, agora me pergunta se eu lembro de algum coisa? Acho que isso já diz tudo.

Lacuna Coil - Sleepless Empire (🇮🇹 Metal Alternativo)

Aqui eles lançaram um álbum de metal que qualquer banda de metal poderia ter feito, não consigo ouvir nada de Lacuna Coil aqui, é meio qualque coisa, um tanto decepcionante sendo que gostei bastante do anterior Black Anima (2019).

Epica - Aspiral (🇳🇱 Metal Sinfônico)

Essa banda está perigosamente entrando no reino do “todo álbum o mesmo álbum”, é triste pois em 2022 eles fizeram um EP sensacional (The Alchemy Project, 2022), com diversas participações especiais, e parece que agora resolveram voltar algumas casas pra trás.

Shura - I Got Too Sad For My Friends (🇬🇧 Art Pop, Electropop)

O primeiro álbum dela é muito bom, o segundo é legal, agora esse, bem, parece que ela realmente ficou triste demais pra fazer música boa.

Rachael Yamagata - Starlit Alchemy (🇺🇸 Indie Folk)

Depois de quase uma década de seu última trabalho, Rachael volta com um álbum tão sem graça que fica difícil acreditar que ela já foi responsável por uns dos álbuns mais tesão acumulado que uma mulher poderia fazer.

Nos vemos ano que vem

É isso, comecei a escrever essa postagem no início de dezembro e foi difícil colocar na cabecinha: “Cara, não vai dar pra falar de tudo, escolhe os melhores e supera!”, isso enquanto alguns bons sons ainda estavam saindo, como o da Melody’s Echo Chamber, mas é isso, 2025 foi um ano super frutífero pra música, em diversos gêneros, tenho a impressão que vou descobrir mais coisas boas que saiu esse ano no futuro, mas por hora, partiu recesso.

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