PJ Harvey
Artista/BandaStories from the City, Stories from the Sea (2000)
🇬🇧 Reino Unido
PaísRock Alternativo
GênerosA vida da cidade grande
O caos e as trevas não são temas estranhos a PJ, muito pelo contrário, em seus álbuns anteriores e posteriores a esse, não apenas a lirica como a sonoridade de suas músicas sempre caminharam pelo lado das sombras, sons crus, altamente distorcidos, super quentes e comprimidos, até indo completo oposto, com sons limpos e tranquilos, quase etéreos e ambientes. Esse álbum parece unir toda a transgressão sonora dos seus primeiros trabalhos junto com a transformação mais intimista do seu trabalho anterior “Is This Desire?”.
PJ Harvey fotografada por Maria Mochnacz nas ruas de Nova Iorque.
Apesar de já ter declarado em entrevista a revista Q que esse “Não é um álbum sobre Nova Iorque”, sua estadia de quase um ano na metrópole claramente claramente foi de grande influência nas composições desse álbum. Em 1998, PJ atuou no filme “The Book of Life”, que se passa em Nova Iorque, onde atua como a personagem bíblica Maria Madalena, assistente de Jesus Cristo, que junto com Lúcifer, decidem se o mundo deve acabar na virada do milênio, como podem ver, uma doideira típica dos anos 90 (Não preciso nem dizer que esse filme entrou para minha lista de para assistir imediatamente após eu descobrir essa informação! hehehe). Após as gravações do filme, já em 1999, PJ decide morar por nove meses na cidade grande, onde compõem algumas músicas que farão parte sua obra-prima.
I thought, no, i want absolute beauty. I want this album to sing and fly be full of reverb and lush layers of melody. I want it to be my beautiful, sumptuous, lovely piece of work.
Em entrevista para a revista Q, em 2001.
Imagem de divulgação para o pôster do filme “The Book of Life”, 1998.
Romanticamente noturno
Mesmo trazendo diversos elementos já comuns em seus trabalhos, aqui PJ escolheu fazer diferente, ao invés de manter uma sonoridade mais sombria, as coisas aqui são mais claras e vibrantes, mesmo as músicas mais baladinhas, as guitarras bem agudas e estridentes, sua voz bem pra frente, gritante em diversos momentos, o baixo mantendo a ambiência bem pesada e noturna.
As letras das músicas são um show a parte, sou um romântico e aqui temos uma PJ completamente apaixonada, seja pela cidade, seja pelo momento, seja por alguém. Como falei anteriormente, as músicas desse álbum foram compostas em três lugares diferentes, Nova Iorque, Londres e Dorset, essa última a cidade natal dela, dai o nome do álbum.
PJ Harvey fotografada por Maria Mochnacz durante as gravações do álbum.
Umas das maiores surpresas talvez seja a participação do Thom Yorke, do Radiohead, em três músicas, como backvocal em One Line, backvocal e piano em Beautiful Feeling e num dueto na intensa This Mess We’re In, que pode dar a intensão de um clímax, apesar de ironicamente ser uma música sobre um término, potencializando esse clima soturno do trabalho.
Histórias da cidade
Baby, baby
Ain't it true
I'm immortal
When I'm with you?
Big Exit
I paint pictures
To remember
You're too beautiful
To put into words
Like a gypsy
You dance in circles
All around me
And all over the world
Good Fortune
I walk and I wade
Through full lands and lonely
I stumble, I stumble
With you I wait
To be born again
With love comes the day
Just hold on to me
A Place Called Home
PJ Harvey fotografada por Maria Mochnacz durante as gravações do álbum.
I can't believe life's so complex
When I just want to sit here and watch you undress
(...)
This is love, this is love that I'm feeling
This Is Love
What were you wanting?
(What was it you wanted?)
I just wanna say
(I just wanna say)
(Don’t ever change)
Don’t ever change now, baby
(And thank you)
And thank you
(I don’t think we will meet again)
I don’t think we will meet again
(And you must leave now)
And you must leave now
(Before the sun rises over the skyscrapers)
Before the sunrise above skyscrapers
(And the city landscape comes into being)
(Sweat on my skin)
The city
Oh, this mess we’re in
This Mess We're In
Ensaio de fotografico com PJ nas ruas de Nova Iorque, fotos de Maria Mochnacz.
Histórias do mar
And I draw a line
To your heart today
To your heart from mine
One line to keep us safe
One Line
I walk and I wade
Through full lands and lonely
I stumble, I stumble
With you I wait
To be born again
With love comes the day
Just hold on to me
A Place Called Home
PJ Harvey fotografada por Maria Mochnacz durante as gravações do álbum.
Horses in my dreams
Like waves, like the sea
On the tracks of a train
Set myself free again
I have pulled myself clear
Horses In My Dreams
So will we die of shock?
Die without a trial
Die on Good Friday
While holding each other tight
This is kind of about you
This is kind of about me
We just kind of lost our way
But we were looking to be free
But one day we'll float
Take life as it comes
We Float
Ensaio de fotografico com PJ nas ruas de Nova Iorque, fotos de Maria Mochnacz.
Parada obrigatória em sua discografia
É muito difícil recomendar apenas algumas músicas desse trabalho, eu adoro o álbum inteiro, normalmente sempre ouço de cabo a rabo, esse é aquele álbum que tu pode deixar tocando e curtir cada música intensamente, mas se for pra escolher as mais mais mais, pra mim seria A Place Called Home, This Mess We’re In e We Float, também recomendo duas B-Sides desse álbum, Memphis, que foi composta em homenagem ao lendário Jeff Buckley, e a 66 Promises, essas duas últimas eram muito difíceis de se achar, mas felizmente agora estão disponíveis no álbum B-Sides, Demos & Rarities, um coletânea de joias que acabaram não entrando em seu álbuns.
Memphis’ was written for Jeff Buckley. I was in shock from his death as many of us were, and had only received a letter from him the week before in which he sounded so well, so happy. There were many things I wished I could say to him, so instead I wrote this song.
PJ em postagem oficial em suas contas nas redes sociais.
Stories from the City, Stories from the Sea é comumente aceito como seu álbum mais “acessível” e “comercial”, independente do seu sentimento particular em relação a esses adjetivos, lembro de ver um programa na extinta MTV Brasil, o Coluna MTV, que na época comentou sobre o seu então novo álbum “A Woman A Man Walked By”, um comentário desse quadro comprou um terreno na minha cabeça desde então: “PJ sabe compor um hit, ela normalmente escolhe não faze-lo”, e eu não podia concordar mais com esse afirmação.
PJ Harvey fotografada por Kevin Westenberg, 2000.