Submundo

CryptoRave 2025

Escrito por Bruno Venâncio.

Parte superior da entrada da biblioteca Mario de Andrade, com um banner vermelho longo verticalmente com o logo da edição 2025 da Cryptorave

Edição 2025, maior e melhor!

Conheci a CryptoRave por acaso no início de 2023, durante a chamada de voluntários, estava a procura de eventos de tecnologia e computação pra matar as temidas horas de atividades complementares que eu tinha que cumprir, pensei que seria a oportunidade perfeita, então me voluntariei, apesar de não conseguir as horas de atividades complementares, me apaixonei pelo evento. Me voluntariei novamente em 2024 e esse ano fui um pouco egoísta e resolvi tankar as 24 horas do evento tentando ver o máximo de palestras possível, já adianto que me arrependi de não ter me voluntariado, pois essa edição foi muito maior do que as anteriores que participei! A seguir deixo minhas impressões sobre esse magnifico evento.

2024 vs 2025

A edição de 2024 também rolou na biblioteca Mario de Andrade, mas numa escala um pouco menor, os espaços eram relativamente distantes entre si, em lugares bem definidos, nesse ano alguns espaços adicionais foram utilizados, como a sala de vidro enorme atrás da estatua do saguão, uma sala adicional ao lado dos banheiros, um aproveitamento total do espaço de exibição ao lado do terceiro andar do auditório e salas no prédio anexo do outro lado da rua. Parando pra pensar, não foram adições tão gritantes assim, mas muito significativas, durante todo o evento tive um sentimento de “ocupação” da biblioteca, é ótimo poder aproveitar quase todo o lindo espaço de lá.

A install fest BOMBOU!!

A install fest foi onde me voluntariei nos anos anteriores, em 2023 foi um pouco decepcionante, quase ninguém colou no horário que eu estava lá pra instalar um sistema operacional livre no seu computador, o que me faz acabar indo ajudar em outras frentes, tendo em vista que estávamos em vias de superar a pandemia, foi compreensível. Em 2024 a coisa foi mais agitada, durante todo o meu período ou estava instalando Debian na máquina de felizardos ou ajudando os demais voluntários nisso, foi bem legal. Esse ano a install fest foi o que eu chamaria de um completo sucesso, colei no espaço diversas vezes e todas as vezes estava lotado ou bem cheio, fico muito feliz que as pessoas estão dando uma chance pro software livre, pois ele merece!

Palestras “Técnicas” ou nerdolas fazendo nerdices

Acho que uma das coisas que podem acabar “afastando” (na falta de uma palavra melhor) as pessoas desse tipo de evento, é que a descrição do evento, criptografia e segurança, me parece muito “técnica”, e é muito claro que o evento é muito mais do que isso, sim, em todos os textos do site e de divulgação deixam claro que o evento não apenas isso, mas nossa atenção tá bem carcomida nesses últimos anos né? Enfim, nos próximos parágrafos espero deixar claro a diversidade do evento.

Bem, um bando de nerdola no mesmo lugar é claro que vai acontecer nerdices, rolou o de sempre, cuidados digitais e de segurança, últimos avanços e vulnerabilidades, oficinas de instalação de ferramentas e governança e hacking. Eu colei principalmente em palestras sobre homelab, descentralização e alternativas tecnológicas as big techs.

Cartaz inclusivo dos banheiros feminino e masculino, diz “Trans, cis, hétero, gay, assexual, não-binárie, sinta-se à vontade para utilizar os banheiros de acordo com sua identidade de gênero”

Arte, Tecnologia e interseccionalidade

Esse ano teve muito mais palestras “criativas” de arte em relação ao ano passado, e eu que me considero uma pessoa criativa adorei participar dessas, algumas delas totalmente fora da caixinha, como a que rolou no terraço sexta a noite, “Programas performativos para re-captura”, eu AMEI essa palestra, foi completamente maluca e divertida! Outra palestra que adorei foi sobre Glitch Art, onde a palestrante deu uma breve introdução sobre o conceito de erro, que simplesmente explodiu minha cabeça!! 🤯

Rolou também diversas palestras com o viés feminista, LGBTQIA+ e racial, consegui colar em poucas, infelizmente evento bom é assim mesmo, precisamos escolher o que vamos perder. Esses tipos de palestras são ótimos exemplos de que a tecnologia não é neutra, tem partido e proposito e pode atuar pra fortalecer ou prejudicar grupos historicamente oprimidos, eu recomendo de coração que se tu é o tipo de nerdola que acredita que a tecnologia é neutra, dê uma chance para esse tipo de palestra no ano que vem, você vai se surpreender com os relatos e dados que elas trazem. As palestras sobre introdução da cultura de segurança, decolonizing cypherpunk myth foram particularmente interessantes.

Slide de uma palestra sobre descolonização do mito CypherPunk que rolou no auditório, mostra um desenho de um olho com diversas palavras ao redor

Tecnopolítica e crise climática/justiça ambiental

A maioria das palestras que fui foi sobre esse tema, inclusive a keynote de introdução e algumas outras palestras sobre a experiência de autonomia tecnológica de comunidades indígenas e remotas foi absolutamente sensacional. É absolutamente importante acompanhar e entender essas experiências e ensinamentos sobre a tecnodiversidade, autonomia e organização politica. Ver que existes comunidades que operam e mantêm servidores descentralizados e autônomos com software livre deve ser algo que o nerdola médio seria completamente incapaz de sequer imaginar, mas já é uma realidade no Brasil e em outros lugares da América Latina como no México (a keynote de abertura foi particularmente impactante nesse quesito). A palestra do Sergio Amadeu sobre soberania digital foi e a do pessoal do IDEC sobre o consumo energético de datacenters foram inspiradoras e um verdadeiro banho de água fria para nos acordar sobre os reais problemas que a mídia e as big techs tentam a todo custo esconder.

Nesse quesito, a organização politica é fundamental, e não faltou espaço pra isso, os estantes e palestras do núcleo de tecnologia do MST, do coletivo Comunatec e diversas outras mostraram as experiências e meios para que possamos revidar e enfrentar a ganância capitalista, para desenvolvermos uma inteligência critica e nos organizarmos a partir da base. É tanto problema atualmente (o famoso realismo capitalista) que a realidade parece esmagadora, foi uma injeção de animo e vontade assistir essas palestras, podemos e devemos resistir, e ver a realidade dos que estão na base foi muito importante.

Cartaz em homenagem a Luigi Mangione que estava no espaço de convivência

Nos vemos ano que vem

Tankar as 24 horas de evento não é fácil, isso sem contar que tem a festa depois (que obviamente não fui, haja energia!), é uma tarefa árdua mesmo, felizmente sempre rola uma cafezinho poderoso e também tem as vendas do cryptomate pra nos manter dispostos. Meu único arrependimento mesmo foi não ter me voluntariado esse ano, no final do evento, senti o gostinho amargo de que poderia ter curtido tudo ou quase tudo que curti no evento e ainda ter ajudado a fazer acontecer, mas tudo bem, ano que vem tem mais, e não pretendo vacilar como fiz esse ano!

Se estiver afim de saber o que rolou com um pouco mais de detalhes, tu pode conferir a programação do evento, alguns palestrantes disponibilizaram os slides que apresentaram! Tem também a keynote de abertura e enceramento disponível no youtube, que deixo abaixo.

Keynote de Abertura:

Keynote de Encerramento:

A CryptoRave é apenas o maior evento de privacidade, segurança e direitos e liberdade na rede mundial de computadores do mundo! (É sério! kkkkk). Nós vemos ano que vem!

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