FLISoL São Paulo 2025

Faltando apenas alguns dias para o evento, descobri por acaso a existência do FLISol, o Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre vendo os stories da Sociedade Pinguim no Instagram, fiquei super interessado e felizmente uma instância do evento rolou em São Paulo, e como um bom devoto da palavra do software livre que sou, é claro que eu tinha que colar nesse evento, a seguir conto um pouco do que rolou por lá.
O local
O evento rolou no espaço do Coletivo Digital, na região de Pinheiros, bem atrás do Cemitério São Paulo. O lugar é bem interessante, achei bastante acolhedor, e o mais interessante é que eles oferecem cursos de criação digital (áudio/vídeo/imagens) usando softwares livres! Cara, sensacional, eu pretendo falar futuramente aqui sobre a necessidade de níveis mais abstratos e menos específicos dos processos, nesse caso criativos, que exercemos, por exemplo, é muito comum alguém querer aprender a usar o “Photoshop”, acredito que precisamos abstrair ainda mais, o Photoshop é apenas uma das ferramentas possíveis para se editar imagens, quando se pensa de forma mais abrangente (como posso editar e manipular imagens no meu computador?), um novo leque de possibilidades se abre, novamente, é sensacional que essa ideia já esteja sendo posta em prática pelo Coletivo Digital com alternativas livres.

Pura e simplesmente um souzafone (eu tive que pesquisar pra descobrir o nome desse instrumento!) decorativo na área interna do espaço, que máximo!
A festa da instalação
Durante todo o período do evento, rolou o tradicional Install Fest, onde as pessoas poderiam trazer seu computador
(inclusive desktop!) para instalar um sistema operacional livre nele. Esqueci de perguntar as opções que eles tinham,
mas vi que um felizardo levou seu notebook e fez um dualboot com Debian com a ajuda dos voluntários, uma ótima forma de
descobrir um novo sistema operacional sem perder o Ruindows Windows instalado na máquina, caso precise por qualquer
motivo. É muito bom poder contar com gente experiente pra tratar dessas coisas, particularmente já perdi a conta de quantas
vezes já fiz ou desfiz algo no computador, já testei diversos sistemas operacionais diferentes, então pra mim é algo
corriqueiro, mas entendo que para a pessoa comum, leia-se pessoa não técnica, realizar um procedimento que pode inutilizar,
mesmo que temporariamente, um dispositivo tão caro como um computador pode ser assustador mesmo. Poder ver na prática que
além de existir outras opções, elas não devem em nada (ou quase nada) pros monopólios da BigTechs é muito importante.

Espaço onde rolou o Install Fest.
As palestras
Além do tradicional Install Fest, rolou diversas palestras interessantes durante todo o evento, a seguir destaco as que participei.
Introdução ao Software Livre
Logo a primeira palestra foi uma visão geral da filosofia e linha do tempo recente do software livre no Brasil, cara, eu fiquei boquiaberto com essa palestra, é sempre muito enriquecedor poder ouvir a galera que já está há anos no rolê contando a história, tu sabia que não apenas o Brasil era um expoente do software livre no início dos anos 2000 como até hoje existe software livre rodando em cidades do país? Eu já tinha ideia do contexto do Software Livre no Brasil, do livro A tecnoutopia do software livre, que aliás pretendo falar sobre por aqui, mas não sabia que foi algo tão disseminado como foi. Eu não conseguiria fazer uma melhor introdução ao tema, tão bem contextualizada como foi apresentado, e o melhor de tudo, os slides estão disponíveis no site do evento.

Caiu uma lágrima real quando o palestrante passou esse slide hehehe.
Oficina de Proteção Digital com KeepassXC
Essa eu tinha certeza que iria interagir de alguma forma, já que já uso o KeePassXC já faz alguns anos e inclusive uma outra versão dele vem pré-instalada nas máquinas do meu trabalho, onde seu uso é recomendado, infelizmente fui tomado pelo pensamento de “acho que não tenho o que adicionar nessa conversa” e fiquei queito, vacilo meu. Além da demostração de como usar o gerenciador de senhas, a palestrante deu uma ótima indicação do site prato do dia, site esse que usa a analogia da comida pra ensinar cuidados digitais básicos, achei absolutamente sensacional, um ótimo recurso pra compartilhar com a galera mais emocionada com os recursos adocicados das big techs que adoram roubar nossos dados.
Pensando códigos enferrujados com Rust
Essa palestra me deixou pilhado pra aprender a linguagem de programação Rust, o palestrante contextualizou a filosofia, objetivos e problemas que essa linguagem se propõe a resolver, basicamente, tem o objetivo de ser uma linguagem onde se pode escrever códigos e “deixar enferrujar”, a ideia é que um programa escrito não precise ser constantemente atualizado para continuar funcional, algo muito comum em outras linguagens como o Javascript e Python. Além disso, foi evidenciado que a linguagem possui inclusive código de conduta, tendo como objetivo criar uma comunidade inclusiva e amigável. Já deixei na minha lista de afazeres aprender essa linguagem, e como acompanho o mundo da tecnologia, estou bem ciente que tudo está sendo reescrito em Rust1!
Cadê a galera do software livre ai meu?
O evento como um todo foi bem legal, teve comes e bebes pra galera (com chave pix pra quem pudesse ajudar), mas honestamente eu esperava um pouco mais de gente. Pensando em São Paulo, teve uma quantidade bem tímida de participantes, acredito que tenha a ver com a falta de divulgação do evento, em comparação as outras cidades, essa edição de São Paulo teve uma divulgação muito próximo da data do evento, o que penso ter prejudicado, já que as outras cidades estavam com a divulgação bem ativa, eu mesmo só descobri essa edição pois fui verificar no site, é algo a se pensar para as próximas edições. Inclusive, é importante deixar bem claro que esse é o tipo de evento feito e mantido por voluntários, pessoas apaixonadas e que acreditam no software livre como alternativa ao mundo das grandes corporações, muito provavelmente faltou braço pra poder ajudar nesse quesito, e isso é o que torna esse tipo de evento especial, é feito de pessoas para pessoas, e agora que já sei de sua existência, pretendo ajudar como posso e provavelmente me voluntariar ano que vem.
Esse é o tipo de evento que mostra a importante de usarmos as redes, internet e ferramentas digitais como um meio, e não como um fim como as grandes corporações de tecnologia tem nos vendidos nos últimos anos. O impacto da pandêmia foi forte, mas é ótimo ver que eventos tão importantes como esse estão voltando a ser feitos presencialmente, desejo mais e mais que isso se expanda e que possamos (digo nós, comunidade) poder fortalecer esse tipo de evento.

Cara, que arte foda! Uma grande placa-mãe com elementos digitais e biológicos.
Os slides das palestras além de fotos do evento estão disponíveis no site do FLISol São Paulo.
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Isso é uma piada da comunidade, e não algo realmente generalizado, pois é bem comum alguém da comunidade Rust criar um projeto refazendo alguma ferramenta ou utilidade famosa em Rust. ↩︎