Submundo

Debí tirar más fotos

Escrito por Bruno Venâncio.

Comecei o ano de muitas promessas, mas logo já saquei que não adiantar apressar as coisas, tudo ao seu tempo, e como pretendo em especial, no meu tempo, curiosamente, janeiro foi um mês bem tranquilo, nem parece que meu primeiro dia de trabalho do ano foi correndo pra lá e pra cá pra mitigar os danos de um incêndio no trabalho.

Quebrando a inércia

Nada como uma catástrofe no trabalho pra perceber que não importa quantas novas promessas e resoluções tu tenha planejado para se ano, será necessário muita força de vontade e impeto pra mudar “a ordem inatural das coisas”, novamente, contrariando todos os meus instintos, fui pagar de proativo simplesmente pra fazer um baita esforço que no final foi completamente inútil, apenas tomou meu tempo e ainda me deu retrabalho posterior. Me considero uma pessoa bem racional, mas de certa forma “conectado” com meu lado místico, incrível, todos os sinais estavam lá, eu só escolhi ignora-los, mais uma vez.

Prédio comérciais num entardecer

Velhos hábitos são difíceis de perder mesmo, no final do ano passado, comecei uma série de cursinhos de desenvolvimento profissional e pessoal que ganhei por ser um “talento” no trabalho, que inclusive ainda estou fazendo, mas enfim, um deles falava sobre definir limites, pra ti e pras pessoas com quem trabalha diretamente, esse ano comecei botando isso em prática depois desse incidente, e devo confessar que obtive resultados surpreendentes, quem poderia imaginar não é mesmo.

Debí tirar más fotos

Como falei na postagem anterior, cometi uma pequena comprinha impulsiva parcelada em dez vez, uma câmera fotográfica digital sem tela Camp Snap Pro, talvez sendo a última unidade disponível e estando com um baita desconto tenha me influenciado mais do que deveria, mas a real é que amei o proposito da câmera. Ela não tem tela, como tu poderia esperar de um câmera digital, a proposta é focar no momento e não na foto perfeita, ela tem aquele “range finder” disponível normalmente apenas nas caríssimas câmeras profissionais, algo que sempre achei o máximo, sempre quis ter uma câmera com esse olhilho pra tirar as fotos, mas em câmeras baratinhas só estão disponíveis em modelos de filme ou de impressão instantânea, super legais, mas infelizmente filmes são caros, essa câmera foi cara (na gringa achei o valor bem em conta, mas não moro na gringa e recebo em reais né), então tirar fotos enquanto houver memória disponível pra mim é melhor.

Um raro céu limpo com nuvens cheias, galhos de uma árvore aparecem no canto inferior direito

Enquanto eu esperava ela chegar, fui vendo análises de fotógrafos gringos sobre esse modelo e é óbvio que eles detestaram, mas todos entenderam que a proposta aqui é se divertir, registrar momentos sem um celular e sem pensar muito se a foto ficou boa ou não, eu adorei essa proposta, durante o mês tirei fotos horríveis, mas algumas saíram muito boas. Eu amei poder girar o botãozinho e mudar na hora o efeito da foto, a câmera tem quatro efeitos de fábrica, natural (sem efeitos), tom quente, tom frio e preto e branco, adorei todos, e gostei mais ainda da possibilidade de criar o meu próprio e colocar efeitos diferentes pra substituir os de fábrica, por hora ainda quero brincar bastante com eles. Todas as fotos dessa postagem foram tiradas com ela, mas foram redimensionadas e comprimidas pra não destruir seu plano de dados, caso esteja vendo pelo celular numa rede móvel (não precisa me agradecer).

Uma xicará de café, sob uma mesa redonda verde, ilumidada por um feixe luz de uma manhã de sábado

E o mais engraçado é que minha principal dificuldade foi… ter coragem pra tirar as fotos! Não sai pra nenhum lugar diferente esse mês, as chuvas incessantes durante o mês não me deixou muita opção entre o trabalho e minha casa, onde tirei a maioria das fotos, e na única vez que sai para um lugar diferente, indo ver “O Agente Secreto” no cinema, esqueci ela em casa! Que ódio! Andei com ela na mochila quase todos os dias, vi muitas possíveis fotos no caminho e ida e de volta do trabalho, mas não tive coragem de tirar da mochila, não por medo de ser roubado, mas das pessoas me notando mesmo, tenho esse problema, penso demais sobre como sou visto pelos outros e acabo me autossabotando pra não parece estranho ou fugir da “norma”, o que quer que isso signifique.

Uma imagem do meu quarto, coisas demais para descrever.

Preciso Quero tirar mais fotos.

🎵 Every time it rains, think of me 🔗

A maioria dos dias desse mês choveu bastante, às vezes temporais de verão, clima perfeito para começar uma nova leitura, mas não tava na vibe, estou preferindo não me forçar a fazer coisas por sentir obrigação, ando esperando uma chama ou faísca de vontade aparecer pra me agarrar nela.

Uma escada num dia chuvoso visto de dentro de um quarto, através de uma janela, preto e branco

Ando pensando muito na beleza das coisas, poder identificar as traços e vestígios do belo por ai, mas perceber exige atenção, e atenção exige tempo, tempo pra desacelerar, então não fiz muito mais do que minha obrigação nesse mês chuvoso. Ouvi muita música, quase o triplo em relação ao mesmo período do ano passado (bem abençoe o ListenBrainz e Last.FM), fiquei obcecado pelo Lux da Rosalía, meu deux, é tão diferente de tudo que já ouvi, não me alimentei de nada que não fosse esse álbum, estou sedendo pra conhecer a discografia dela, mas tenho medo de me apaixonar por ela (já estou).

Meu gato, Timóteo, visto de cabeça pra baixo

No final da maravilhosa música La Yugular tem um trecho de uma fala da Patti Smith, extraída de uma entrevista antiga dela, é uma reflexão sobre ir além, “além do além”, como ela termina a entrevista. Ouvi o álbum Horses dela diversas vezes depois disso, suas palavras daquela entrevista ficaram ecoando no meu subconsciente, com La Yugular tocando de fundo, sentia como se tivesse alguma coisa querendo explodir dentro de mim, já senti isso algumas vezes. Agarrei a chama da vontade e li o livro “Devoção” da Patti Smith, é um livro curtinho, li em dois dias indo e voltando do trabalho, e honestamente se eu tivesse lido em qualquer outra ocasião teria achado meio meh, mas acabei gostando, tem um subtexto de ver a beleza das coisas, engraçado como o que a gente procura acaba nos encontrando.

A gata da vizinha, eu sou louco pra pegar ela pra mim.

Lembrei de quanto trabalhava na livraria e ela (Patti Smith) apareceu lá de surpresa, apenas cinco minutos depois que eu havia saído para almoçar. Ela autografou diversos de seus livros e foi embora, obviamente não consegui nenhum, não tem problema, levou anos mas a conexão que não estabeleci com ela naquele dia foi estabelecida agora, graças a Rosalía.

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