Submundo

Renovação de Guarda-roupas

Escrito por Bruno Venâncio.

Quem diria que no meu aniversário de 33 anos eu estaria escrevendo sobre minhas roupas, mas enfim, é uma terça e não se comemora nada numa terça, então vou falar de algo que queria confessar a algum tempo, minhas roupas preferidas estão estavam acabando!

Nesse último ano notei algo péssimo, minhas roupas favoritas, principalmente camisetas estavam em um estado lastimável, perderam o status de “roupa para sair” e ganharam o de “pra usar só em casa” ou mesmo “pra virar pano de chão”. E apesar do sinais (pequenos furos, rasgos, golas arreganhadas e por ai vai) eu fui forçando um “ainda dá pra usar” até não poder mais.

E o pior que só fui começar a notar isso quando já não tinha nada que eu realmente gostasse de usar, tudo que eu amava usar não servia nem pra doação, basicamente me sobraram aquelas peças genéricas que a gente vai ganhando mas só usava raramente, acabou se tornando minhas roupas para o dia a dia.

E minha ficha caiu num fatídico dia de cinema no shopping, enquanto perambulava pelos corredores trombei com uma família no qual uma criança de não mais do que 5 ou 6 anos estava usando a mesmíssima camiseta que eu, uma camiseta preta e azul no estilo futebol americano emulando o estilo de camiseta do torcedor da casa de ravenclaw, essa que eu já havia trocado anteriormente por achar o modelo anterior “muito juvenil” para o meu gosto!

Eu fiquei encarando aquela criança vendo uma sequência de imagens em câmera lenta dos horrores de guerra da maioria das minhas camisetas “boas para usar na rua” que seguiam esse padrão que eu e meu coleguinha infantil usavam, coisas de super-heróis, sagas, séries e filmes que eu nem gostava tanto assim. Eu via adultos se vestindo como criança na minha cabeça e não parava de pensar “Cacete eu tenho 30 anos pelo amor de deux!!!”

Bicho eu me senti um fracasso, uma farsa, um indigno, o próprio estereótipo do cara infantilizado, tive a triste realização de que nada que eu vestia realmente expressava o que eu era ou as coisas que eu gostava.

Minha missão então, ao menos nos últimos 6 meses foi reverter essa triste realidade, separei um total de 17 peças de roupas nesse período pra doar o que tava bom e jogar fora o resto, coisas que ganhei, coisas que nunca usei (camiseta polo, o próprio horror!) e minhas antigas favoritas pra jogar fora. Todo mês garimpava uma ou duas peças em algum lugar que eu passava ou pela internet mesmo, mas valeu o investimento, minha autoestima agradece não parecer uma criança e me sinto mais feliz e confiante usando coisas que realmente me sinto bem em usar e que expressam o que eu sou.

Talvez ter visto todas aquelas temporadas de Project Runway nesse mesmo período tenha me influenciado nessa decisão hahahaha.

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