Submundo

Resoluções para um novo ano

Escrito por Bruno Venâncio.

2025 foi um ano que eu precisava MUITO descansar, depois de meia década focado na faculdade, só deux sabe que eu precisava de um respiro e não fazer muito mais do que continuar vivo, mesmo assim, ao longo do ano inevitavelmente fui definindo, conquistando e desistindo de diversos objetivos que achei importante. Fazer esse blog curiosamente faz parte de um deles, então porque não fazer uma listinha tô começando a achar que adoro uma listinha do que eu desejo pra mim esse ano.

Ler melhor, não necessariamente mais

Desde antes de entrar na faculdade, eu já lia pra cacete, mas coisas que eu era obrigado a ler, tive algumas surpresas, principalmente em diversas disciplinas na faculdade mas no geral livros técnicos são um saco. Uma das coisas que entrei de cabeça foi ler mais livros recreativamente, sem que isso tivesse algum envolvimento com meu desenvolvimento profissional ou pessoal, por puro entretenimento mesmo. Se minha memória não me falha, li um total de 16 livros em 2025, felizmente apenas um deles sendo técnico pois não sei aquetar o cu em aprender novas coisas.

Pra quem só costuma ler no transporte público e apenas esporadicamente em casa, achei um número bem legal. Engraçado pensar que trabalhei uma fucking década numa livraria e nunca cheguei perto de ler isso tudo de livros em um ano, doido né. O que eu quero mesmo é desenvolver uma leitura mais atenta, em muitos momentos me peguei lendo rápido demais, como se eu precisasse terminar logo esse pra ir pro próximo, tive que respirar fundo e pensar “Calma cara, tá competindo nessa porra? Relaxa!”. Essa dinâmica de performance das redes sociais é foda né, a gente acaba pegando, mas enfim, quero continuar a me dedicar a leitura, pois ajudou muito minha cabecinha esse ano, e principalmente no meu tempo.

Eu deitando numa cama de solteiro lendo um livro Eu performando antes de virar modinha, esse ano essa foto faz 15 anos!

A quem interessar, minhas leitura favoritas foram:

Manter o projeto verão

Eu já me exercitava regularmente, porém numa dinâmica “não ser sedentário”, no ultimo ano eu virei a chavinha e coloquei na cabecinha “eu quero CRESCER” (nem que seja um pouquinho), e olha, deu muito certo hein. Fiz alguns ajustes na minha alimentação, reduzi bastante as porcarias (não parei, só reduzi, até porque ninguém tá me torturando aqui), passei a comer mais frutas (o que me ajudou violentamente a comer menos porcaria) e comer mais, o que foi a parte difícil, já que tenho estômago de passarinho.

Passei a me exercitar de forma mais séria e focada, comprei alguns acessórios pra me ajudar (elásticos de treino, tapete de ioga), cogitei ir para a academia mas só ficou na ideia mesmo, não estava pronto pra esse comprometimento. Ao final de um ano fiquei muito feliz com o resultado, pensei que seria muito difícil ganhar peso mas consegui chegar aos 71,5 Kg (minha média era 62~65Kg!), o que foi impressionante, pareço um narcisso me olhando no espelho agora, “nossa como esse frango cresceu né hehehe”, agora entendo a galera viciadinha em puxar peso, essa porra vicia mesmo.

Uma selfie minha de corpo inteiro num banheiro, mostrando o braço Dá pra ver minha cara de surpresa ao perceber que o projeto verão tá se pagando sozinho hehehe.

Eu descobri que meu peso “ideal” máximo antes de ser considerado sobre-peso é 75Kg, então meu objetivo pra esse ano é chegar nessa marca, e quem sabe começar a treinar com equipamentos numa academia, ainda não sei, não sou muito fã do climinha fitness de academias.

Ser menos trouxa (sem ser mais cuzão)

Quem me conhece sabe que adoro ajudar as pessoas que gosto, na medida do possível, sei lá, coisa de virginiano mesmo, mas esse ano (passado) tive não apenas um mais dois tapas na cara que me acordaram pra vida. Infelizmente sempre existiram alguns sangue-sugas que vão se aproveitar (ou tentar) da gente, então é muito necessário aprender a definir limites e deixar de ser o bom samaritano quando a única pessoa que esta se esforçando é você.

Não me entendam mal, não quero ser o interesseiro que só faz algo pensando no que vem em troca (essa é a parte de não ser cuzão), mas ouvir duas vezes da mesma pessoa que, citando “Não se importa comigo, apesar de eu ser muito legal” foi o tapa na cara que eu precisava mesmo, e é especialmente mais dolorido eu não ter sacado de primeira e deixar acontecer uma segunda vez, é foda, sou um romântico, mas cansei de ser otário.

Cena do filme Pearl, onde a atriz principal está com uma expressão de raiva em um estabulo, com a legenda “Eu pensei que você gostava de mim” em inglês. Eu também pensei que ele gostava de mim 🥲.

Me expressar criativamente (mais, muito mais!)

Esse é um dos motivos no qual comecei a escrever um blog, desde o apocalipse pandêmico virei um robozinho em modo de sobrevivência, praticamente parei de tocar (instrumentos musicais), toda a mídia que eu consumia era porque “estava em alta” ou “todo mundo tá falando sobre”, e demorou mas o preço desse modo automático de existência foi cobrado nesse ultimo ano e minha cabecinha virou do avesso.

John Waters sentado em um sofá vermelho com a legenda em inglês “Tenha fé no seu próprio mal gosto” “Tenha fé no seu próprio mal gosto”, palavras de sabedoria de John Waters.

Sempre me considerei um pessoa criativa, e de certa forma com alguns dispositivos e habilidades para poder expressar essa criatividade, parar com essas coisas me criou um vazio que fui tentando preencher com diversas coisas, com pouco ou nenhum efeito, até sacar que eu só precisava fazer as coisas que eu gosto e/ou me interessavam ao invés de apenas o que era esperando de mim.

Ouvir minhas músicas “estranhas”, ver meus filmes “estranhos”, ir pros rolês “estranhos”, fazer minhas coisas “estranhas”, ou troque essa palavra “estranho/a” por “não é o que a galera tá vendo e ouvindo ou fazendo”, novamente essa questão da performance é foda, até onde está disposto a ir pra se enturmar com uma galera (que provavelmente não dá a miníma pra ti)? Sei lá, não gostei muito do que vi e ouvi. Quero voltar a tocar meus instrumentos, ver os filmes lado b que gosto mesmo que não tenha em nenhum streaming, colar num evento/rolê simplesmente por achar interessante, me vestir como eu quero, enfim, tu deve ter pegado a ideia.

Eu tocando violão usando um ôculos escuro Eu há 15 anos atrás, quando comprei esse violão que tenho até hoje.

O que quero dizer é que quero e preciso voltar a expressar minha subjetividade, por isso comecei esse blog, sempre quis escrever sobre o que gosto mas faltava coragem (não mais). Como diria Bad Bunny, debí tirar más fotos, e logo no início desse ano cometi uma comprinha impulsiva (em minha defesa estava com um belo desconto! hehe) de uma câmera fotográfica digital sem tela (sempre quis ter uma dessas mas até então eram todas caríssimas e profissionais), eu tambien quiero tirar más fotos, sempre gostei de brincar de tirar fotos por ai (sem usar a porcaria do celular pra isso).

David Lynch barbudo usando um ôculos escuro, com a legenda em inglês “Eu espero que vocês se divirtam bastante trabalhando nos seus projetos favoritos” “Eu espero que vocês se divirtam bastante trabalhando nos seus projetos favoritos”, palavras de sabedoria de David Lynch.

Fazer novas amizades e me reconectar com as antigas

Sempre fui uma pessoa caseira, mas nunca deixei de sair pra conhecer lugares e pessoas e tal, mas novamente desde o apocalipse pandêmico parece que eu perdi minhas já fracas habilidades sociais, quero voltar a me reconectar com meus/minhas amigos/as e fazer novas amizades também.

Esses ultimos dois anos foram bem interessantes, teve o show do Underoath (2024) que encontrei uma galera das antigas que foi O EVENTO, fiz minha primeira viagem internacional para a Argentina e meu coração ficou em Buenos Aires, nesse ano conheci uma cidade nova (Campinas), fui pro karaokê pela primeira vez no aniversário de uma amiga (e AMEI), me voluntariei num evento para pessoas com deficiências, enfim, quero multiplicar esses eventos pois acho que foram muito espaçados.

Infelizmente a questão de fazer novas amizades é uma via de mão dupla né, não depende só de mim, mas seguimos tentando, novamente, sou um romântico.

Cena da série Twin Peaks, onde um personagem pergunta para o outro “Garland, o que você mais teme nesse mundo?” e o outro responde “A possibilidade de o amor não ser o bastante”. Eu também Garland, eu também.

Devagar e sempre, e foco no processo

Acho que a “lição” que eu fixei foi essa, poucas coisas foram fáceis na minha vida, e colocar o cabresto pra focar apenas no resultado não apenas tirou a graça do processo, mas gerou muita ansiedade e decepção, quero fazer mais por puro prazer e não porque tenho a ganhar algo com isso (R$), mas de qualquer forma, os estudos não pararam, um dos meus objetivos é conseguir um emprego melhor na minha área, também comecei a estudar firme espanhol, peguei o básico do básico pra viajar mas agora quero ir a fundo e quem sabe virar trilíngue. E pra finalizar, a velha sabedoria do Tumblr.

Não importa o quão devagar esteja, desde que nunca pare.

Eu fazendo o sinal do rock! Eu esperando um show começar no Primavera Sound 2023.

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